Ao completar 259 anos no dia 27 de julho, São José dos Campos não celebra apenas conquistas, mas também os muitos talentos envolvidos e comprometidos com o desenvolvimento da cidade. São joseenses de nascimento e moradores que escolheram São José para morar, trabalhar e formar suas famílias.
São pessoas conhecidas ou mesmo anônimas, que contribuem, dia a dia, com seus conhecimentos e experiências nos mais diferentes campos de atuação, sempre com o objetivo de tornar o município um dos melhores lugares para se viver. Leia abaixo a história de um destes talentos.
Programação
Ao longo de todo o mês, moradores e visitantes poderão participar de uma programação de aniversário que reúne cultura, esporte, lazer, cidadania, fé e entregas importantes para a população, com dezenas de atrações gratuitas promovidas por São José dos Campos e por instituições parceiras em diferentes regiões da cidade.
Confira aqui a programação completa.
Jean Galvão, o gênio do traço
A caneta preta contrasta com a superfície branca do papel. Da mão direita, saem traços que contam a história do país. Sob a prancheta, rabiscos ganham vida no estúdio do cartunista e ilustrador Jean Galvão, de 54 anos, um dos mais importantes nomes da imprensa brasileira.
Em sua casa, no Jardim Satélite, região sul de São José dos Campos, cria as charges publicadas todos os domingos na Folha de São Paulo. Ocupa espaço nobre na página 2 de um dos principais jornais impressos do Brasil.
De esportistas a presidentes, é impossível encontrar uma personalidade importante no mundo que não tenha sido alvo de sua caneta. São mais de três décadas de carreira, iniciada em jornais de São José dos Campos.
Além da Folha, publicou para a Editora Abril e para revistas internacionais, como National Geographic Kids (EUA) e Focus Júnior (Itália). É ilustrador de livros. Publicou dezenas deles. Um, inclusive, sobre São José dos Campos.
“Sou muito grato à cidade, porque quando comecei a carreira já havia um grande jornal por aqui. E tinha lugares para publicar os meus trabalhos. Isso fez com que o desenho, que era uma coisa que eu gostava muito, pudesse ser a minha profissão”, afirma Galvão, nascido em Cruzeiro (SP) e morador de São José desde os 11 anos.

Jean mora em São José desde os 11 anos – Foto: Paullo Amarall
Prêmios
O talento para as artes sempre rendeu muitos prêmios ao cartunista. O primeiro deles aos 14 anos, quando ganhou o concurso nacional da margarina Claybom. Ao lado da mãe, recebeu um mini buggy no programa Passa ou Repassa, apresentado à época por Gugu Liberato.
“Pouco tempo depois, meu pai estava construindo uma casa ali na região do Jardim da Granja. Acabou o dinheiro e aí eu vendi o mini buggy para comprarmos material de construção. O concurso ajudou a concluir a casa dos meus pais”, recorda.
Depois de passar por jornais de sindicatos, chegou ao Valeparaibano, onde ganhou espaço e garantiu por três vezes o Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, principal condecoração de imprensa no Brasil.
O sucesso de Jean acabava projetando o jornal nacionalmente. “E toda vez que eu ganhava um prêmio, eles me davam um aumento de salário. Queriam me segurar por aqui”, diverte-se.

Ir mais longe
Mas o artista queria ir mais longe. Após cinco anos na imprensa regional, faturou a primeira colocação em um concurso de charges promovido pela Folha de São Paulo. Desenhou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o então ministro Antônio Carlos Magalhães, um dos principais articuladores políticos do governo à época.
O concurso permitia ao vencedor publicar no jornal por três meses. Uma vitrine e tanto! “Se eles gostassem, podia continuar”, conta. “Mas não tinha garantia”, completa.
Aprovado, passou a dividir espaço com profissionais do porte de Laerte Coutinho, Angeli e Orlando Pedroso. Uma seleção brasileira da ilustração.
Embora carregue o talento desde a infância, Jean Galvão mantém um hábito incontornável: lê muitos livros, jornais e revistas. Mergulha nas notícias para desenvolver boas ideias para as charges. Faz esboços, aprimora o material e só depois encaminha para a redação, em São Paulo.

Crítica e ironia
Em seu estúdio, montado em sua casa, aprimorou o estilo pessoal e faz os desenhos que ganham o mundo, sobretudo em tempos de redes sociais. Crítica e ironia se misturam em um traço preciso e muito característico.
“Eu gosto muito de abordar as questões de aquecimento global. Tenho feito bastante. E também questões sociais. Não critico só o poder. Muitas vezes, critico o próprio cidadão e o modo como ele age. Fico feliz, porque as minhas charges são muito usadas em material didático e no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio)”, afirma.
Para acertar os exercícios, tem até estudante que lhe manda mensagem no Instagram pedindo ajuda na interpretação dos desenhos. Neste caso, ele dá dicas e provoca uma reflexão sobre o tema.
Jean Galvão destaca que charge nem sempre é humor. Uma que gostou de ter feito, por exemplo, foi sobre doação de órgãos.

“Fiz o desenho todo em silhueta. A morte chega no cara e fala que chegou o dia dele. Aí a silhueta do carinha responde: ‘você vai me levar, mas não totalmente’. A morte pergunta o motivo, aí ele mostra que está carregando o coração na mão. Ele está todo preto
