Polvos de crochê levam conforto aos bebezinhos da UTI neonatal

Um pequeno gesto – feito com linha, agulha e muito carinho – passou a fazer parte da rotina dos bebês internados na UTI neonatal do Hospital Municipal de São José dos Campos. O Projeto Octo São Paulo, iniciativa de voluntariado que há sete anos confecciona polvinhos de crochê para recém-nascidos internados em unidades neonatais, realizou a doação de aproximadamente 65 peças à unidade, que é mantida por São José dos Campos e gerenciada pela SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina).

A entrega foi feita nesta segunda-feira pelas voluntárias Mari Arlete Cimonari e Sandra Olivan à diretora de enfermagem, Renata Mantovani, e à enfermeira clínica da UTI neonatal, Fernanda Ferrer.

O Projeto Octo nasceu na Dinamarca e se espalhou por diferentes países com a proposta de oferecer conforto aos bebês internados em UTIs neonatais. O formato do polvinho, especialmente os tentáculos, busca reproduzir algumas sensações que o recém-nascido experimentava no ambiente uterino.


Voluntárias doaram mais de 60 peças para a UTI neonatal | Foto: SPDM

Segundo as voluntárias, os tentáculos, além de trazer aconchego, podem ajudar a evitar que o bebê segure ou puxe inadvertidamente fios, sondas e cateteres utilizados durante o tratamento.

“Cada polvinho é feito pensando naquele bebê que está passando por um momento delicado”, explica Mari. “Não é apenas uma peça de crochê. É uma forma de transmitir carinho, segurança e acolhimento para a criança e também para a família.”

Para Sandra, participar da iniciativa é uma maneira de transformar o trabalho voluntário em um gesto concreto de cuidado. “A gente faz cada polvinho com muito amor, sabendo que ele vai chegar a um bebê que precisa de conforto. É muito gratificante poder contribuir de alguma forma para esse momento tão importante na vida dessas famílias.”

Renata (dir.) e Fernanda: iniciativa agrega humanização ao cuidado | Foto: SPDM

Benefícios observados

Embora o uso dos polvinhos não tenha comprovação científica formal dos benefícios clínicos que trazem, profissionais que acompanham a iniciativa relatam percepções positivas relacionadas ao conforto e à tranquilidade dos recém-nascidos.

O formato do brinquedo pode proporcionar uma sensação de aconchego semelhante àquela vivenciada no útero materno. Os tentáculos também remetem ao cordão umbilical e podem oferecer ao bebê algo seguro para pegar, ajudando a reduzir a manipulação de fios, sondas e cateteres.

“O polvinho representa uma possibilidade de oferecer conforto e acolhimento ao bebê em um ambiente que, naturalmente, é muito diferente daquele que ele vivenciava dentro do útero”, destaca Renata. “É uma iniciativa que agrega humanização ao cuidado.”

Segundo Mari Arlete, profissionais que acompanham o projeto em outras unidades testemunham que os bebês podem apresentar maior tranquilidade e estabilidade durante o uso do polvinho. “Esses relatos, no entanto, são observacionais e não devem ser interpretados como comprovação de efeito clínico”, completa.

Brinquedo segue regras para garantir segurança | Foto: SPDM

Segurança vem primeiro

Como os polvinhos serão utilizados por recém-nascidos, o Projeto Octo segue regras específicas para garantir a segurança e a higiene dos brinquedos.

Produzidas por uma equipe de 26 voluntárias, eles são confeccionados com fibra siliconada antialérgica e não possuem peças coladas. Os detalhes são bordados para reduzir o risco de desprendimento de componentes.

Cada polvinho pertence ao bebê que o utiliza e pode ser levado pela família para casa após a alta hospitalar. Durante a permanência na unidade, a recomendação é que a peça seja higienizada em autoclave a cada sete dias ou sempre que houver necessidade, seguindo os protocolos estabelecidos pelo serviço.

Camila Mota, mãe do pequeno Benicio, recebeu a iniciativa com carinho | Foto: SPDM

Carinho e aprovação

O pequeno Benicio, que nasceu no dia 19 de agosto, foi o primeiro bebê internado na UTI neonatal a receber o pequeno companheiro de crochê. Para a mãe, Camila Rodrigues Mota, a iniciativa foi recebida com carinho e aprovação.

Em meio aos cuidados, equipamentos e profissionais da unidade, um simples polvinho passou a representar aquilo que toda família deseja para um recém-nascido: acolhimento, proteção e carinho.

A doação ao Hospital Municipal marca o início de uma parceria que une humanização e cuidado neonatal. Para as voluntárias do Projeto Octo São Paulo, entregar os polvinhos é levar uma mensagem de afeto para famílias que vivem um período de expectativa e, muitas vezes, de preocupação.