Parque Santos Dumont: 55 anos de memórias e diversão na cidade

Uma das principais referências de uma infância feliz em São José dos Campos é, sem dúvida, o Parque Santos Dumont, localizado na região central da cidade. Há 55 anos, o espaço faz parte da história de gerações de joseenses, sendo cenário de brincadeiras, descobertas e momentos especiais em família.

Mais do que um lugar de lazer, tornou-se um espaço de convivência e afeto, onde famílias compartilham experiências e constroem memórias que permanecem vivas ao longo da vida.

Memórias afetivas

Para quem viveu a infância por ali, o parque parecia enorme, quase sem fim. Desde a inauguração, suas atrações despertavam a curiosidade e alimentavam a imaginação das crianças. Naquela época, o tobogã, com seus 12 metros de altura, impressionava pela novidade e grandiosidade. Pintado de vermelho e branco, dava a sensação de estar pertinho das nuvens.

A subida pelas escadas do tobogã era cansativa para as pernas curtas da garotada, mas nada se comparava à expectativa de chegar ao alto. O verdadeiro frio na barriga vinha na descida, feita sobre um saco de estopa. Entre o medo e a coragem, os gritos e as risadas, a aventura se transformava em uma das grandes diversões da infância.

E havia muito mais para descobrir! Em um dos parquinhos infantis ficavam as famosas “joaninhas”, brinquedos giratórios que faziam a alegria da garotada. Em pé, apoiadas nas estruturas com pegadores, as crianças acompanhavam o movimento enquanto tudo rodava cada vez mais rápido.

A paisagem se embaralhava diante dos olhos, provocando uma mistura de emoção e gargalhadas. Também chamavam a atenção as enormes letras coloridas de concreto, algumas das quais ainda resistem ao tempo, preservando um pouco da paisagem e das lembranças daquela época.

Para conhecer o parque por inteiro, havia ainda um passeio especial: o trenzinho que percorria o espaço. Para as crianças, a viagem era quase mágica. Conduzido por um motorista caracterizado, o pequeno trem seguia lentamente pelos caminhos, enquanto os passageiros mirins gritavam, acenavam e se divertiam.

Na memória infantil, o trajeto parecia durar horas, como se cada curva revelasse um novo mundo a ser explorado. Quem acompanhou de perto essa alegria foi o funcionário público Pedro Edgar Moreira da Silva, que trabalhou como motorista do trenzinho. Ele se lembra de como a criançada adorava passear no veículo. “Parecia que era realmente uma viagem”, relembra.

A Casinha de Boneca é um símbolo do parque desde a sua inauguração | Foto: Cláudio Vieira/PMSJC 

Pedro também guarda na memória outra atração que encantava os pequenos: a casinha de bonecas, localizada perto da estação de trem.

O espaço continua existindo até hoje. Naquela época, porém, a preocupação das crianças era aproveitar cada minuto da brincadeira sem perder a próxima viagem. “Era um corre-corre danado, saíam da casa e corriam para pegar o trem”, conta, entre risos, ao recordar a movimentação.

Gerações conectadas 

Ao longo dos anos, o Parque Santos Dumont acompanhou as transformações da cidade, ganhou novas atrações e acolheu diferentes atividades, sem perder sua vocação de espaço dedicado à infância e ao convívio familiar.

Manter o Parque organizado, limpo e agradável, é um dos pilares de São José dos Campos. Atualmente são 20 pessoas que chegam cedo ao local e cuidam com carinho do espaço. Seja na limpeza dos equipamentos, varrição, plantio de flores e administração. Cada um com uma história sobre o local.

Por lembrar do passado, o Parque tem em sua história, atividades que não existem mais. Teve roda-gigante, quiosques para churrascos e até um circo de lona, que recebia apresentações culturais e levava ainda mais movimento ao local. Também abrigou a Biblioteca Cassiano Ricardo, entre outras iniciativas que ampliaram suas possibilidades de encontro, aprendizado e lazer.

As lembranças de quem frequentou o espaço ao longo das décadas mostram como o Parque acompanhou diferentes fases da vida de muitas famílias.

A aposentada Creusa de Souza, que frequentava o local na década de 1970, guarda recordações especiais dessa convivência. Para ela, o parque foi cenário de momentos marcantes de sua juventude e fez parte de sua rotina durante muitos anos.

“Lembro dos momentos da minha juventude, dos passeios e de como fazia parte da rotina”, recorda Creusa.

Com o passar do tempo, o parque ganhou um novo significado em sua história: tornou-se também o lugar onde Creusa levava os netos para aproveitar as férias escolares. Os piqueniques e os dias ao ar livre passaram a fazer parte de novas lembranças familiares, agora vividas por outra geração. Entre as recordações mais queridas estão justamente esses momentos ao lado dos netos, quando a alegria de frequentar o parque ganhou novos sentidos.

Para Creusa, é bonito perceber que o parque continua presente na vida dos moradores e permanece como ponto de encontro entre diferentes gerações. “É bonito ver como o parque continua fazendo parte da história de tantas famílias de São José dos Campos”, afirma.

O lago do Parque Santos Dumont destaca-se pelo dinamismo de suas fontes d’água | Foto: Cláudio Vieira/PMSJC 

Essa relação afetiva com o Santos Dumont também aparece na história da professora Ana Teresa Queiroz Veneziani Lage, que guarda no parque lembranças marcantes de duas fases importantes de sua vida: a juventude e a maternidade.

Na adolescência, entre os 15 e 16 anos, Ana Teresa costumava passar as tardes no parque, onde se encontrava com uma amiga em um dos quiosques para compartilhar poesias, letras de músicas e, às vezes, estudar. Eram momentos de amizade e desco