Seu Nelson, um filho adotivo que a cidade acolheu

Na correria do dia a dia, os agentes ambientais podem passar despercebidos. Eles saem antes da maioria das pessoas acordar e seguem trabalhando, deixando as ruas limpas com um serviço geralmente silencioso. Esse não é o caso de José Nelson Veloso, o Seu Nelson.

Funcionário da Urbam (Urbanizadora Municipal) há 31 anos, Seu Nelson é figura conhecida nas ruas do centro de São José dos Campos, onde entre uma varrida e outra também arruma tempo para uma conversa rápida com quem cruza seu caminho todos os dias.

Com apenas 9 anos, deixou a casa dos pais em Minas Gerais para trabalhar. Viajou escondido em um trem e sem dinheiro e documento, foi parar por engano na cidade que viria a chamar de sua. Mais de seis décadas depois, aos 71 anos, segue nas mesmas ruas que o receberam.

Nascido em Carvalho, Nelson cresceu trabalhando na roça e decidiu fugir após ouvir conversas sobre como era possível ganhar dinheiro em São Paulo. “Não tinha dinheiro, não tinha documento, não tinha nada, e eu sozinho, só com a roupa do corpo”, recorda.

Por acaso

Seu Nelson realiza um trabalho muitas vezes silencioso | Foto: PMSJC

Em uma embarcação improvisada, ele saiu do trem pensando ter chegado ao destino e levou um susto: “Perguntei para um rapaz se aqui era São Paulo e ele me respondeu que era São José dos Campos”, conta rindo da lembrança.

Desorientado na estação, foi acolhido por um fazendeiro da região do Jaguari, que ofereceu trabalho, comida e estudo.

Depois de passar por algumas fábricas da cidade, Nelson ingressou na Urbam em 1996, por meio do concurso público, e já exerceu diversas funções na empresa. Após um momento difícil, ele contraiu Covid-19 e ficou em estado grave, precisando se afastar das atividades por um ano. 

Após sua recuperação, sentiu alívio em poder voltar ao trabalho: “Se eu ficar em casa, eu fico doente”, diz.

Ele explica que carrega seu apelido com orgulho. “A cidade e a Urbam me adotaram. E eu agradeço por isso”, diz Nelson.

A trajetória do Seu Nelson, que tem dois filhos joseenses, carrega o retrato de uma São José dos Campos que acolhe quem chega, mesmo por acaso, e oferece a ela a chance de construir uma vida inteira.

O profissional sempre arruma tempo para um aperto de mão | Foto: PMSJC

O texto faz parte da série Talentos de São José, produzida em comemoração aos 259 anos de São José dos Campos. 

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