Conheça o caminho do leite humano que salva vidas no HM

Nei José Sant’Anna
Saúde

Por trás de cada bebê internado na UTI Neonatal do Hospital Municipal Dr. José de Carvalho Florence, unidade de São José dos Campos gerenciada pela SPDM, existe uma rede silenciosa, altamente técnica e profundamente humana que transforma solidariedade em vida.

É o trabalho do Banco de Leite Humano — um serviço essencial que vai muito além da coleta e distribuição de leite materno.

Dia da Doação de Leite Humano

A importância desse gesto ganha ainda mais destaque neste mês, já que nesta terça-feira é celebrado o Dia Nacional e Mundial de Doação de Leite Humano. Instituída no Brasil pela Lei nº 13.227/2015, a data tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância do aleitamento materno e incentivar a doação de leite humano para bebês prematuros e de baixo peso internados, fortalecendo a rede de bancos de leite e ajudando a salvar vidas diariamente.

Referência em São José dos Campos, o Banco de Leite atende não apenas os bebês internados no próprio hospital, mas também abastece outras unidades do município. Somente no HM, cerca de 30 recém-nascidos são atendidos mensalmente, o que representa aproximadamente 2.400 dietas — considerando que cada bebê pode se alimentar até oito vezes por dia.


O Banco de Leite do HM é referência para UTIs Neonatais: Foto: Claudio Vieira

O que poucos veem é o caminho percorrido por esse leite até chegar, com segurança, ao pequeno paciente.

Tudo começa com um gesto de generosidade. Atualmente, cerca de 60 doadoras fixas contribuem com o Banco de Leite. O leite é ordenhado em casa, armazenado em frascos de vidro e mantido congelado.

Diariamente, uma equipe especializada realiza a coleta domiciliar, seguindo uma escala organizada. Cada doadora possui um prontuário próprio, com todas as informações sobre sua saúde, garantindo rastreabilidade e segurança desde a origem.

Primeira triagem

Ao chegar ao hospital, o leite passa primeiramente por uma avaliação sensorial rigorosa. Aspectos como cor, odor e aparência são analisados por profissionais treinados. Essa etapa inicial já é capaz de identificar possíveis alterações.

Depois disso, o leite é armazenado em freezer por até 15 dias, sempre sob controle rigoroso de temperatura.

O próximo passo é um dos mais importantes: a pasteurização. O processo é dividido em três etapas: pré-aquecimento, tratamento térmico e resfriamento. Durante essa fase, também é realizado o teste de acidez, que avalia se houve fermentação da lactose — um indicativo de contaminação bacteriana. No Hospital Municipal, a taxa de perda por acidez é baixa, em torno de 2%, reflexo do rigor em todas as etapas.


Etapa do crematócrito para determinar o valor energético do leite | Foto: PMSJC

Análise nutricional

Após a pasteurização, o leite segue para uma das etapas mais estratégicas dentro do Banco de Leite: o exame de crematócrito, responsável por determinar o valor energético e a quantidade de gordura presente em cada amostra.

Essa técnica permite uma verdadeira personalização da alimentação dos recém-nascidos internados na UTI Neonatal. O processo começa com a coleta de uma pequena amostra do leite. Esse material é colocado em tubos capilares de vidro, preenchidos parcialmente e devidamente selados para evitar vazamentos.

Em seguida, os tubos são levados a uma centrífuga de alta rotação por um período que varia entre 10 e 15 minutos. A força centrífuga separa o leite em duas camadas bem definidas: creme (parte superior), rico em gordura e, portanto, mais calórico; e soro (camada intermediá