Pedro Edgar, trajetória dedicada aos parques

Com mais de 40 anos de dedicação à São José dos Campos, Pedro Edgar Moreira da Silva, chamado carinhosamente de Pedrinho, construiu uma trajetória marcada pelo trabalho, pela curiosidade e pelo amor à natureza.

Pedrinho entrou para o serviço público de uma forma inusitada: como operador da roda-gigante do Parque Santos Dumont (que existia à época), movida a manivela. Como ele trabalhava em um parque de diversões, tinha a experiência necessária.

Ao longo dos anos, Pedrinho desempenhou diversas funções. Trabalhou como caixa em uma das três lanchonetes que existiam no local, tornou-se líder de equipe e, mais tarde, prestou concurso público, tornando-se servidor efetivo de São José dos Campos.

Ainda no Parque Santos Dumont, também atuou no escritório administrativo e teve uma das funções da qual se orgulha muito: foi motorista do trenzinho que circulava no local nos finais de semana, onde hoje existe a pista de caminhada.

“Quem trabalhava lá tinha dois uniformes. Um macacão para os dias da semana e, no meu caso, um uniforme especial de motorista”, conta.

Pedrinho trabalha na Praça Riugi Kojima, no Jardim Aquarius | Foto: Claudio Vieira/PMSJC 

Novos horizontes

Mesmo tendo estudado apenas até o primeiro ano do ensino primário, Pedro nunca deixou de aprender. Curioso, desenvolveu o hábito da leitura e se interessou por diversos assuntos. Fez cursos técnicos e se especializou em diferentes áreas.

Em 1992, quando o Parque Santos Dumont começou a implantar o Jardim Japonês e o lago de carpas, Pedro recebeu uma missão especial: aprender a cuidar dos peixes ornamentais.

O conhecimento veio pelas mãos do morador Carlos Cirilo, que doou 10 carpas ao parque e compartilhou seus conhecimentos sobre a espécie, ensinando desde os cuidados básicos até a identificação das principais doenças.

“Foi ele quem me incentivou a fazer um curso de piscicultura. Comecei no Rio de Janeiro e terminei um ano e meio depois na Fazenda Haras Paulista, em Pindamonhangaba”, recorda.

A formação abriu novos horizontes. Nas horas vagas, Pedro passou a prestar serviços particulares de piscicultura. Com a experiência adquirida em cursos de mecânica, também aprendeu a construir cachoeiras artificiais, filtros biológicos e espelhos d’água para pequenos espaços.

Hoje, aos 72 anos, Pedrinho continua colocando em prática todo este conhecimento. Ele trabalha na Praça Riugi Kojima, conhecida como Praça do Torii (Jardim Aquarius, na região oeste), cuidando das carpas, do lago e da área verde.

Gosto pela pesca

Apesar de parecer contraditório, o maior hobby de Pedro é justamente a pesca. Pai de quatro filhos, ele aproveita feriados, folgas e férias para seguir rumo ao litoral. “Sempre que posso, vou para Ilhabela e fico pescando. É meu hobby favorito”, conta.

Em suas aventuras no mar, já encontrou baleias, golfinhos, tubarões e coleciona histórias de grandes pescarias. Entre elas, a captura de um cação de 12 quilos e diversos peixes-espada.

Visitante inesperada

Entre as histórias mais curiosas de sua carreira está a aparição de uma ariranha no lago da Praça do Torii, em 2022. Durante vários dias, os peixes desapareceram misteriosamente, causando preocupação.

Após análise das imagens das câmeras de segurança do local, a responsável pelo sumiço dos peixes foi identificada: uma ariranha, mamífero semiaquático considerado a maior espécie de lontra do mundo.

“Até descobrirem a bichinha, foram dias de preocupação. Ela chegava à noite e fazia a festa”, lembra.

Mais do que uma profissão, seu trabalho representa um estilo de vida. “Eu gosto de ficar ao ar livre, tomar sol, caminhar, cuidar das plantas e dos lagos. Sou muito grato pela oportunidade que tenho de fazer isso todos os dias”, afirma.

O texto faz parte da série Talentos de São José, produzida em comemoração aos 259 anos de São José dos Campos. Confira aqui a programação de aniversário.