Durante o Agosto Lilás, mês de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher, o Hospital Municipal Dr. José de Carvalho Florence, unidade de São José dos Campos gerenciada há 20 anos pela SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina), reforça a importância da prevenção, do acolhimento e do acompanhamento das vítimas de violência sexual.
O atendimento é estruturado para oferecer apoio completo, garantindo cuidados, proteção e acesso aos serviços necessários de assistência e proteção.
A vítima é inicialmente recebida no Pronto-Socorro Ginecológico e passa pela triagem. Na sequência, é encaminhada para a Sala Lilás, espaço destinado ao acolhimento humanizado, sigiloso e qualificado.
Uma equipe multidisciplinar é acionada, reunindo psicóloga, assistente social, médicos e profissionais do Núcleo de Vigilância Epidemiológica. Com a equipe reunida, é realizada uma consulta integrada, justamente para evitar que a vítima precise contar repetidamente a situação traumática.
São apresentadas informações sobre os direitos da vítima, realizados os exames necessários e oferecida medicação preventiva contra infecções sexualmente transmissíveis, além de orientações sobre a continuidade do cuidado no Ambulatório da Mulher, que tem papel importante no acompanhamento após a ocorrência.
O suporte psicológico pode ser oferecido por até seis meses e, quando há necessidade de continuidade ou de atendimento especializado em saúde mental, a paciente pode ser encaminhada para outros serviços da rede, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
Baixa adesão
Apesar da estrutura disponível para garantir a continuidade da assistência, um dos principais desafios identificados pelo serviço é a baixa adesão às consultas de acompanhamento.
Só neste ano, o Ambulatório da Mulher agendou 47 consultas, mas apenas 13 foram efetivamente realizadas, com 34 faltas, o equivalente a 72,3% das marcações.
O absenteísmo merece atenção, pois além do acompanhamento clínico, a continuidade permite avaliar a evolução da paciente, reforçar orientações, acompanhar aspectos relacionados à saúde mental e identificar eventuais necessidades de encaminhamento para outros serviços da rede.
Para conscientizar os pacientes sobre a importância de confirmar ou cancelar seus atendimentos, São José dos Campos lançou a campanha Falta Zero, que conscientiza sobre o impacto das ausências não comunicadas em agendamentos da rede municipal de saúde, que além de aumentarem o tempo de espera, causam desperdício de recursos públicos.
Rede de proteção
O atendimento hospitalar faz parte de uma rede que envolve diferentes áreas da saúde, assistência social, segurança pública e garantia de direitos.
Em casos de estupro, é fundamental que a vítima procure uma unidade de emergência (UPA – Unidade de Pronto Atendimento ou hospitais) preferencialmente em até 72 horas, período importante para avaliação médica onde a condução de casos exige uma abordagem abrangente, considerando múltiplos aspectos do cuidado, aplicando os protocolos de atendimento preconizados pelo Ministério da Saúde, como a prevenção do HIV, das hepatites virais, sífilis e outras IST, além do suporte psicológico e das medidas para evitar uma gestação indesejada, de forma a possibilitar a segurança, a eficácia das intervenções e a integralidade do atendimento às vítimas.
As vítimas são orientadas a registrar boletim de ocorrência na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), responsável, no município, pela formalização dos casos de violência sexual e pela solicitação de perícia no Instituto Médico Legal (IML).
A articulação entre os diferentes serviços é fundamental para garantir que a vítima não fique desassistida após o atendimento inicial.
