Hospital Municipal chega a 37 órgãos doados em 2026

Uma decisão tomada em meio à dor da perda pode representar uma nova chance de vida para outras pessoas. O Hospital Municipal Dr. José de Carvalho Florence, em São José dos Campos, realizou na noite desta sexta-feira mais uma captação de órgãos, a sétima efetivada pela instituição em 2026.

A doadora é uma mulher de 51 anos, cuja morte encefálica foi confirmada pelas equipes médicas. Com a autorização da família, foram captados o coração, o fígado, os rins e as córneas. Os seis órgãos e tecidos serão destinados a pacientes que aguardam na fila de transplantes.

O procedimento foi realizado pela equipe médica da Organização de Procura de Órgãos (OPO), em parceria com profissionais do Hospital Municipal, seguindo rigorosamente os protocolos técnicos, éticos e legais estabelecidos pelo Sistema Nacional de Transplantes.

Homenagem

O momento da captação foi marcado por uma homenagem à doadora e aos familiares. Durante o trajeto entre a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e o Centro Cirúrgico, familiares e colaboradores do hospital formaram um corredor de aplausos.

A homenagem simbolizou respeito, gratidão e reconhecimento à família, que autorizou a doação mesmo diante de um momento de profundo luto.


Corredor de aplausos simbolizou respeito e gratidão à doadora e sua família | Foto: SPDM

Balanço de 2026

A nova captação eleva para sete o número de doações efetivadas pelo Hospital Municipal neste ano. Em 2026, já foram captados 37 órgãos e tecidos, sendo 4 corações, 2 pulmões, 7 fígados, 14 rins e 10 córneas.

Outro dado que chama a atenção é a taxa de aceite familiar, que está em cerca de 67%, índice acima da média nacional, em torno de 50%.

Segundo o hospital, o resultado está relacionado ao trabalho realizado pelas equipes multiprofissionais, que acompanham e acolhem os familiares durante todas as etapas. O atendimento é conduzido de forma humanizada, com respeito ao momento de luto e espaço para que os familiares recebam orientações e esclareçam suas dúvidas antes da decisão.


Taxa de aceite familiar no HM está em torno de 67%, acima da média nacional | Foto: SPDM

Família é fundamental

No Brasil, a doação de órgãos depende da autorização da família e somente pode ocorrer depois da confirmação da morte encefálica, diagnóstico realizado de acordo com critérios rigorosos definidos pela legislação.

Após a confirmação, os familiares são acolhidos e informados sobre a possibilidade da doação. Quando há autorização formal, o Hospital Municipal notifica a Organização de Procura de Órgãos (OPO), responsável por coordenar e viabilizar o processo de captação.

A OPO integra o Sistema Nacional de Transplantes e trabalha em conjunto com a Central de Transplantes para garantir que todas as etapas sejam realizadas de acordo com os critérios médicos, éticos e legais. No Vale do Paraíba, a organização responsável pelo atendimento da região é vinculada à Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

O Hospital Municipal reforça que a doação de órgãos é um procedimento seguro. Por isso, conversar sobre o tema com familiares e manifestar ainda em vida o desejo de ser doador é uma atitude importante, já que a decisão final cabe à família.

Identidades preservadas

Por determinação legal e por princípios éticos, as identidades dos doadores e dos pacientes transplantados são mantidas em absoluto sigilo no Brasil.

A medida protege a privacidade das famílias envolvidas, evita pressões emocionais e impede qualquer tipo de favorecimento ou interesse indevido no processo de doação.

O anonimato também garante que os órgãos sejam distribuídos exclusivamente com base em critérios técnicos e médicos, assegurando um sistema justo, seguro e transparente para todos os pacientes que aguardam por um transplante.

A cada nova captação, o Hospital Municipal reafirma a importância da doação de órgãos como um ato de solidariedade. Em meio a uma despedida, a decisão de uma família pode representar esperança e novas possibilidades para outras pessoas.

O Hospital Municipal Dr. José de Carvalho Florence é uma unidade de São José dos Campos gerenciada há 20 anos pela SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina).