No ano passado, a paraense Joice Souza Lira, paratleta de 21 anos, se mudou para São José dos Campos com uma meta ousada. Treinar com muita disciplina visando integrar a Seleção Brasileira de Bocha nos Jogos Paralímpicos de Los Angeles, em 2028.
Antes disto, Joice fez parte do time brasileiro que foi aos Jogos Parasul-Americanos, realizados na Colômbia, de 5 a 16 de julho; primeiro grande evento multiesportivo com participação brasileira após a campanha nos Jogos Paralímpicos de Paris, em 2024.
Portadora de atrofia muscular espinhal, Joice compete na classe BC4 da bocha paralímpica, destinada a atletas com deficiência que possuem controle suficiente para impulsionar a bola por conta própria.
Jovem talento
Joice nasceu em Rondon (PA), na divisa com o Maranhão. Em 2021, com 17 anos, teve o primeiro contato com a bocha quando era aluna da APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), pela qual foi campeã paraescolar, com somente 15 dias de prática.
Desde então, construiu uma trajetória marcada por conquistas: vice-campeã brasileira naquele ano, além de pódios consecutivos em competições nacionais e presença constante no Centro de Treinamento Paralímpico.
Dois anos depois, serviu a Seleção Brasileira de Jovens. No ano seguinte, brilhou no cenário internacional, tornando-se campeã mundial em dupla em Cali, na Colômbia, além de conquistar o título brasileiro intermediário.
Em 2025, venceu o Campeonato Brasileiro de Jovens, em Curitiba, e conquistou ouro no Mundial de Jovens, também na capital paranaense. Este desempenho vitorioso despertou o interesse de grandes equipes do país.
Novo caminho

Gabrielle Rodrigues é assistente da atleta – Foto: Paullo Amarall
Depois da primeira medalha de ouro e da evolução na modalidade, a atleta percebeu que precisava de um acompanhamento mais profissional. “Eu vi que estava muito sério e comecei a procurar clubes para treinar. Por isso que eu escolhi São José”, explica Joice.
Em abril de 2025, a atleta passou a fazer parte do Instituto Athlon, referência nacional no esporte paralímpico e parceiro de São José no gerenciamento das equipes paradesportivas de alta performance.
A entidade atende mais de 240 pessoas com deficiência física, visual, intelectual e TEA (transtorno do espectro autista), promovendo inclusão e rendimento esportivo em 10 modalidades.
Vinda do interior da Amazônia, Joice está se adaptando bem ao novo lugar. “É uma cidade linda, acolhedora, muito acessível, ainda mais para a gente que é cadeirante, tem rampas em todos os lugares, as pessoas são maravilhosas”, diz Joice.
“Ela é sensacional, compartilha das mesmas coisas, tem os mesmos gostos. Somos muito parceiras. Quando ela precisa sempre estou aqui. A Joice tem uma história muito bonita e ficar longe da família não é fácil”, diz a assistente Gabrielle Rodrigues, do Instituto Athlon.
O texto faz parte da série Talentos de São José, produzida em comemoração aos 259 anos de São José dos Campos. Confira aqui a programação de aniversário.
